Biografia da Mochila Insana – uma história improvável da vida

Dedico esse texto ao meu querido amigo que já está nos céus e que mudou minha vida, nosso querido Walberkley. 

Muitos só veem as fotos no Facebook, mas não entendem o processo pelo qual passamos para chegar até ali. Como tenho muitos seguidores na página, resolvi contar um pouco mais da minha jornada e como me tornei essa viajante que vocês conhecem. Vai que isso serve de inspiração para mais alguém. 🙂

***

Nasci numa família pobre que só tinha dinheiro para comer – ainda bem. Não tínhamos luxo algum e morávamos em barraco cedido na Ceilândia, região pobre e violenta do DF. Vivi essa realidade até 10 anos quando minha mãe fazia mini pizzas para eu levar à escola, as quais começaram a ser encomendadas. Mamis passou a vendê-las na porta da minha escola classe e eu fazia a propaganda, claro rs Sucesso! Daí meu padrasto teve uma brilhante ideia e resolveu fazer das tripas coração (só ele trabalhava), montando um pequeno comércio que começou com quase nada no puxadinho da nossa casa e que perdurou até os meus 14 anos, depois que fui assaltada quando estava trabalhando por lá. Ceilândia-muita-treta deixa marcas

Depois dos 14 eu comecei a sentir uma vergonha terrível de pedir dinheiro ao meu pai para comprar absorvente, então resolvi trabalhar. Comecei ganhando R$ 180,00 como menor aprendiz trabalhando 20h semanais em uma escola católica do Plano – eu catalogava os livros da biblioteca e depois limpava cocô de aluno no maternal. Aprendi horrores a mexer com sistemas e a cortar papel para colocar no mural. Eu tinha conseguido por meio da escola pública entrar no CILC (Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia) para estudar inglês e também consegui um curso de operador de micro – tudo de graça. Naquela época as escolas da Ceilândia eram bastante engajadas. Fiquei nesse programa por 1 ano e meio e depois vieram outros estágios que consegui por meio do CIEE (programa de estágio) – eu madrugava em frente aos terminais para tentar entrevista. Algumas deram certo, muitas outras não.

No Ensino Médio, meu sonho era ser jornalista para poder viajar. Eu ficava impressionada com os repórteres de campo que se metiam em aventuras. Mas como meus estudos em Inglês estavam avançados (no CILC são 6 anos), meu pai me aconselhou a trabalhar para ter dinheiro, e não sonhos. Eu era estudante de escola pública. Não tinha recursos para pagar faculdade particular. A realidade sempre batia a nossa porta. Resolvi então entrar para a faculdade de Inglês ao invés de Jornalismo, na Universidade Católica de Brasília, sonho de menina. Tentei UNB (federal), não passei. Resolvi pleitear a vaga da Bolsa Universitária do governo. Fiz a prova e passei; entrei aos 19 anos. Eu devia pagar apenas 30% da mensalidade e o restante era a contrapartida nos CRAS, atendendo a população carente. Escolhi a Católica e o curso de Letras era no prédio do de Jornalismo – seria o destino? rs

Mas eu não tinha os 30%. Tinha que trabalhar. Queria qualquer emprego. Surgiu vaga de atendente de padaria na Ceilândia. Eu trabalhava das 4h30 da manhã até as 14h da tarde de segunda a sábado e ganhava R$ 480 líquidos. Eu tinha que pagar uns 300 de faculdade. Serviu. Ainda comprei uma chapinha de 200 reais dividida em 10 vezes rsrs (eu não gostava do meu cabelo – bobagem, os caracóis eram lindos). Até hoje tenho essa chapinha – e ela funciona hehe. Trabalhei de atendente até ser “promovida” por conta do conhecimento em informática. Fui alimentar sistema, ganhando o mesmo salário. Quando acabei o serviço, voltei para o balcão. Sim, era exploração. Eu sabia mas não me  importava. Precisava da grana para estudar. Semanas depois fui assaltada a mão armada quando estava indo trabalhar de madrugada. Minha mãe, que sempre me acompanhava a pé , observou os assaltantes colocando a arma na minha nuca e me apalpando. Eu só tinha o uniforme da padaria. Jogaram minha bolsa para longe e me mandaram seguir em frente sem olhar para trás. Entrei em estado de choque. Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu estava indo trabalhar, poxa! Aquilo doeu em mim. Senti revolta. Anos depois eu lembraria do que ocorreu ali, sob um novo prisma. Saí da padaria dias depois. Soube que ela foi assaltada outras vezes. Ceilândia deixou mais uma marca.

A essa altura, sem emprego, corri para conseguir trabalhar em outros lugares como o Giraffas e pleiteei estágios. Até que fiz um processo seletivo para o TST (Tribunal Superior do Trabalho) pelo CIEE (prova de português, matemática e informática) e consegui passar. Era um sonho para a minha realidade atual: eu trabalhava 20h semanais e ganhava R$ 800 líquidos. Poderia ajudar a minha mãe agora. Lá eu fazia revisão de votos jurídicos e aprendi muita coisa. Conheci pessoas maravilhosas e fiz amigos, em especial a Ludmila, pessoa guerreira da qual me orgulho muito até hoje. Lá eu também tive a vontade de ser servidora pública, pois o ambiente de trabalho era bacana, o salário era razoável (se engana quem pensa que eles são ricos) e ainda têm férias! Isso era algo que sempre me encantou. Como assim ganhar dinheiro e curtir ao mesmo tempo? Eu queria isso. Precisava disso. Meu sonho de ser jornalista de aventuras começou a minguar. 

Eu precisava de mais dinheiro para bancar as despesadas da faculdade. Concorri a uma vaga do Instituto Unibanco no programa Entre Jovens num processo seletivo e lá permaneci junto com o estágio do TST e a faculdade. Eu dava aula de português para alunos da rede pública em um turno, no outro estagiava no TST e à noite fazia faculdade. Esse último ano foi bem puxado, mas eu dei conta. Eu sempre dava conta. Pobre não tem escolha. Ou trabalha ou trabalha.

E assim a vida começou a moldar meu caráter. Eu percebia que, se você quer ter algo, tem que se esforçar bastante.  E dava certo algumas vezes.  Nunca comi tanta marmita na minha vida e nunca peguei tanto ônibus, como qualquer trabalhador. 

Certo dia quando estava dando aula para meus alunos no projeto Entre Jovens em Taguatinga – DF, um aluno entrou na escola armado e fez todos de reféns. Porque raios isso sempre acontece comigo?  – pensei. Fechei porta e janelas e pedi para meus alunos se esconderem junto comigo debaixo da mesa do professor. O aluno maldito foi detido e minha vontade de ser professora acabou ali, pelo menos por hora. Outra vontade surgiu, em meio à revolta.

Logo após outra ficha caiu:  TRABALHAR EM TRIBUNAL É MUITO CHATO! Eu tinha uma produção de revisão de acórdãos semanal e, enquanto eu não acabasse, não poderia sossegar. Pensei: “Não quero prestar um concurso para viver assim o resto da vida, com prazos”. Decidi procurar outras profissões, já que tudo havia caído por terra. Eu não sabia mais o que fazer. Queria algo mais dinâmico, que contemplasse esse meu jeito agitado de ser. A essa altura eu não conseguia mais ficar parada. Já estava acostumada a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ócio nunca existiu nessa vida rs

A polícia apareceu como solução para todos os problemas no  último semestre da faculdade. Resolvi pagar um cursinho no Gran Cursos à tarde numa promoção relâmpago. Foi também época de entrega da monografia. Até hoje não sei como dei conta de faculdade, estágio e cursinho. Só sei que deu certo. Acabei formando com 10,0 na monografia (que adorei escrever <3). Saí licenciada para ser professora de Inglês, mas não desejava seguir esse rumo com tanto afinco mais. E também terminei o cursinho, tudo ao mesmo tempo. Ufa!

Nesse período eu estava namorando a distância com um jovem rapaz de São Paulo. Meu primeiro  namorado (e único de verdade) foi à distância e durou quase 2 anos. Ele tentou me dissuadir de tal ideia, pensando que não iria para frente. E como foi! Prestei concurso para a Polícia Civil em São Paulo (cargo de investigador), Polícia Civil de Goiás (cargo de escrivão), Polícia Militar de Goiás (cargo de praça combatente) e Polícia Militar do DF (cargo de praça combatente). Só não passei para escrivão no Goiás! \o/ Fiquei extremamente feliz. Foi um ano de preparação depois do cursinho e um ano de provas e demais etapas dos processos seletivos.  Eu estudava o dia inteiro por umas 10h e só parava para correr. Nunca fui tão focada. Passei nos primeiros lugares. Minha mãe adorou isso. Fiquei feliz por dar essa alegria a ela, que não teve as mesmas oportunidade de estudo como eu. 

Meu namorado me deixou quando viu que era sério, pois não queria beijar uma policial, e também porque eu não quis assumir a PCSP. Eu não podia abandonar minha vida em Brasília e “casar” assim. Desisti de nós com muita dor no coração, mas foi o melhor. Resolvi assumir a PMGO, pois estava mais perto do DF, e assim esperar pela convocação da PMDF, se houvesse.

Porém era preciso pagar os exames médicos de todos os concursos. Lá vai eu procurar emprego, pois não tinha plano de saúde. Os exames eram caríssimos. Mandei currículo com várias experiências aleatórias e esperei pelo resultado. E eis que surge a providência divina: no dia seguinte, uma agência de comunicação me chama para uma entrevista. Eles precisavam de uma secretária. Eu eu precisava de um emprego. A entrevista foi só o sucesso e no outro dia eles me ligam para me contratar. Amém, irmãos! 😀 Nunca consegui um emprego tão rápido rs Eu trabalhava de segunda à sexta, 40h semanais, ganhava R$ 1000 líquidos,  atendendo mil pessoas e com um cliente chato chamado ABD, mas que no fundo eu gostava, pois consegui fazer um bom trabalho que ninguém antes fizera. Trabalhei junto com publicitários, designers e jornalistas. Só podia ser o destino rsrs Fiquei lá 6 meses até a Polícia Militar do Goiás me convocar. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo. Tanto que fui promovida para cuidar apenas daquele cliente “chato” e ganhei R$200 a mais – mais que uma promoção a Cabo na polícia; fiquei no lucro haha Conheci pessoas maravilhosas que guardo comigo até hoje. Uma virou minha melhor amiga (Ray, te amo <3). Saí de lá com boas memórias e com um livro russo que ganhei de presente. Nunca me esquecerei de vocês. <3 <3 <3 

Morei em Goiânia por dois meses devido ao curso de formação da PMGO. Foi ralado, saí da minha zona de conforto. Mas estava ganhando um salário que nunca tinha experimentado: sair de mil reais e pular para 4 mil era algo surreal. Foi tudo menos fácil: eu acordava 4h30 da manhã para estar no quartel às 5h. Haviam desfiles todos os dias. Tinha que ser na marca, sem furos. TODO SANTO DIA. A menina nerd deu espaço à menina que aguentava (quase) tudo. A vida me ensinou a ser mais rústica e a não ter frescura. Mudei. Militarismo ajuda a reforçar isso, ainda mais quando já se tem perfil de uma pessoa esforçada – e como eu era. Disso eu posso me orgulhar.

Foram dois meses. Dividi apartamento com 5 homens que cuidaram de mim e se tornaram irmãos. Aprendi a me cuidar e comecei a gostar dessa vida de viajar, nem que fosse para Goiânia. Até que um belo dia, de madrugada, surgiu minha convocação para a Polícia Militar do DF. Eu havia passado no psicotécnico! \o/  Eu não era doida rsrs Pulei e chorei de alegria. 🙂 Nunca vou me esquecer disso. Só faltava essa fase para pegar meus panos de bunda e voltar para o DF. Uma semana depois eu já estava iniciando o curso de formação da PMDF. E lá se foram mais 5 meses até o término. Meu salário aumentou um pouco. O melhor foi quando ele atrasou e vieram 2 meses de uma vez. EU NUNCA TINHA VISTO TANTO DINHEIRO NA MINHA VIDA rsrs Primeira decisão: “Mãe, enche dois carrinhos de compra no supermercado e estoure o cartão à vontade. Tô nem ai”. E assim foi feito.

Financiei um carro pois já não aguentava andar de ônibus cheio e pronto. Ô trem que demora para acabar rs E eu já não queria mais nada. Só desejava ajudar minha mãe.

O melhor momento do curso foi quando trocamos a farda provisória pela definitiva de instrução. Meu pai colocou as insígnias em mim. Logo ele que me achava frágil e sem foco. Nunca senti tanto orgulho vindo dele. Choramos juntos. Até hoje me emociono ao lembrar daqueles olhos cheios de lágrimas me abraçando e dizendo: “- Parabéns, filha, você conseguiu.” Logo meu pai que nunca proferiu elogios quando eu tirava nota boa na escola ou era a melhor da turma em todas as matérias. “Você não faz mais do que sua obrigação” era o que ele mais falava quando eu mostrava o boletim escolar. Aquilo doía, mas não sei como tambem me fez mais forte. Ver aquela pessoa orgulhosa de mim foi impagável. Sempre quis a  sua aprovação. A partir daí meu pai viu que eu saberia me virar sozinha. Depois que eu passei na polícia ele me deixou sair de casa e voltar depois da meia noite rsrs Olha que avanço! haha Mal ele sonhava que eu ganharia o mundo logo depois.

Depois que formei no curso da PM, vi que era aquilo que eu queria. “Mas Ju, PM???” Simm! Abra sua mente, querid@. Essa corporação tem muito a oferecer: união, disponibilidade de tempo e dinamismo interno. A sua postura que determinará o seu serviço policial. Tive uma educação muito boa e firme. Nada poderia mudar isso. Hoje sou uma profissional do bem. Já trabalhei em vários lugares na polícia: na rua, no administrativo, na escola militar como professora e agora no meio turístico. E sou muito, mas muito feliz por estar lá. Não desejo mais estudar e galgar um lugar mais ao sol, pois sinto que já cheguei onde deveria. Eu poderia sim estudar e tentar algo com mais status perante a sociedade (a vida me mostrou que eu consigo), mas resolvi pegar outro rumo. Quero aproveitar a vida intensamente 🙂

Dessa forma eu passei a trabalhar por escala e trocar serviços. Assim consegui tempo para viajar. Se você deseja ter um trabalho e quer viajar ao mesmo tempo, sugiro que procure algo por escala também. Ajuda um bocado 🙂

No primeiro recesso que tive pós curso de formação, viajei para o RJ sozinha. Fiquei uma semana mochilando, dormindo em barraca no sótão de um hostel, conhecendo gente nova e acumulando felicidade. E isso se sucedeu depois de um episódio que conto a seguir.

***

Em 2014, enquanto o curso de formação da Polícia no DF acontecia,  eu sempre surfava na internet pesquisando sobre esportes de aventura. Encontrei o Trekking, mais especificamente a página do Trekking Brasília no Facebook. Só que agora eu tinha uma graninha para poder sair sozinha. Finalmente! hehe Perguntei sobre os passeios num dia e no outro vi uma postagem do Diogo Abe (membro sumido do trekking hehe) convidando a galera para um passeio no Chapada Imperial. Eu nunca tinha feito trilha de galera assim. Foi a minha primeira: usava mochila de escola, tênis surrado e roupa qualquer, enquanto aquela galera estava com botas e demais equipamentos específicos da atividade. Nem precisava daquilo tudo rsrs A trilha era super tranquila. Fiz amigos. Conheci a Mitzi, Zé Ricardo, Diogo Abe (amados amigos até hoje) e o Walber. O querido Walber. Ele mudou minha vida.

Sabe aquela pessoa que te ajuda sem sentir? Qualquer equipamento ele tinha para duas pessoas. A vida dele era viajar e se aventurar por ai. Era um exemplo de apreciação da vida ao extremo. Sua alma transbordava beleza. Depois desse passeio, marcamos outros. Fomos fazer o rappel do Buraco das Araras (o meu primeiro) e já estávamos marcando vários outros eventos. Eu nunca senti tanta vida em tão pouco tempo.

Até que no dia 1º de Agosto, depois de marcarmos os detalhes da nossa viagem de carro para o Chile (Walber disse que daria a gasolina e a gente que se virasse para pagar a alimentação rsrs), recebo uma noticía às 13h, enquanto estava numa instrução no auditório da Polícia: Walber havia sofrido um acidente de moto e falecido. COMO ASSIM!? Eu havia falado com ele às 11h sobre nossa trip dos sonhos. Isso não pode estar acontecendo. Meu mundo caiu, o chão desapareceu. Pedi para sair daquele auditório com tanta gente. “Mas você não pode, Soldado Jussiara.”, disseram. “Foda-se! Meu amigo morreu e vocês querem que eu fique aqui?! Me prendam então. Eu não fico aqui mais nenhum segundo!”, repliquei. E saí de lá aos prantos e fui procurar nosso amigo Zé. Lá conversamos sobre a vida do Walber e tentamos buscar explicações e alento. Revelei ao Zé que o Walber já havia escapado de dois acidentes aéreos anteriormente, simplesmente por ter desistido do vôo. Parecia que agora a morte não queria deixá-lo. Era a hora.

Dias depois foi o velório do nosso anjo. Eu nunca senti tanta dor, mas ao mesmo tempo uma sensação de alegria tomou conta de mim: o Walber viveu intensamente. Ele fez tudo o que queria, inclusive o rappel investido dias antes da sua morte que tanto falava. Eu não estava lá para ver essa façanha, mas creio que ele ficou bem feliz (o jovem treinava direto para fazer da melhor maneira possível).

Walber é meu exemplo de vida até hoje. Desde o momento que o conheci lá em 2014 eu não sou a mesma. Resolvi valorizar momentos e não coisas. Foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Isso se deu de forma natural, à medida que me enveredava pelos caminhos do Trekking, pesquisando lugares, formas de fazer, equipamentos adequados para diminuir os perrengues inerentes à atividade. Eu amo você, querido amigo. Toda vez que faço trilha, você me vem à mente e te sinto comigo, bem ali. 

***

Porque eu gosto tanto de Trekking? É um esporte com cara de vida: a gente se planeja previamente até chegar o grande dia da caminhada, seja com treinamentos físicos, seja com pesquisas; a gente se esforça para chegar a algum objetivo e, ao alcançá-lo, vem a recompensa. Quer mais vida que isso? rs

Assim, me tornei uma viciada em viagens de Trekking. Ja fiz mochilão (o primeiro foi em homenagem ao Walber, no Chile <3), já fiz viagem estilo turistão com tudo pago, mas nada se compara ao estilo trekking.

Você ser responsável por suas experiências é um presente. Aquela imensidão é uma dádiva. E eis que encontrei minha religião – o apreciar da natureza. Não há maior manifestação divina do que a natureza, por isso nos sentimos tão felizes quando estamos apreciando-a. <3

E assim sigo caminhando em busca de novos caminhos, agora sem pressa, mais madura e com a consciência de que não conseguirei ver e viver tudo o que desejo, mas o pouco que conseguir, tirarei proveito máximo.

Fiz minha escolha: não acumulo bens, não desejo ter imóvel próprio, não quero me vestir como a moda dita; só compro roupa quando viajo e termino a trilha suja de terra e não tenho nada limpo para usar depois rs Acho que a última vez foi em Fevereiro de 2016, depois do Monte Roraima rs. Não desejo ter filhos (pelo menos por ora), não desejo ter namorado que respire concreto urbano. Prefiro ficar quieta na minha. Quiça aparece alguma “mochila gêmea” andando por ai igual eu rs Hoje posso dizer: eu sou feliz. Minha mãe tem tudo o que precisa e eu consigo viajar se me organizar com tempo e dinheiro. Mas passei por muitas coisas para chegar até aqui.

Esse sentimento de inveja que muitos dizem que as pessoas têm por outras eu não compreendo. Pelo o que me lembro nunca senti essa tal inveja, porém admiração eu sentia a rodo! Pegava os bons exemplos e tentava trazer para mim. Entendi que a vida é uma caixa de oportunidades. Se esforce e você terá o que deseja, mesmo depois de muitas adversidades. Eu não passei por poucas. Quase morri algumas vezes na Ceilândia. Ó céus rs Mas estamos ai, vivendo. Eu desejo que todos sejam felizes, a sua forma. “Gente feliz não enche o saco.” – esse é meu maior jargão.

E assim sempre busco viajar de forma barata para poder viajar mais, pois essa é a minha felicidade, meu estilo de vida. E assim pesquiso, choro desconto e procuro cias para rachar custos quando possível. Adoro essa vida e sempre estou agregando mais pessoas para poderem desfrutar disso também. Sou super acessível. Qualquer dúvida, é só mandar que eu respondo.

***

Esse foi um desnudar da minha vida. Algo que muitos aconselham a não fazer. Mas eu preciso deixar um prólogo do blog. Eu o criei para servir de arquivo das minhas andanças. Unir minha vontade de escrever com as viagens é algo que eu sempre quis. Não consegui ser jornalista, mas posso ser uma aventureira que escreve. Sinto lá no fundo que é o mesmo. 🙂 O Mochila Insana será meu legado para o mundo quando eu for trilhar nos céus.

Com amor, Jussiara Ferreira da Silva.

Brasília,  3 de janeiro de 2017.

PS.: não revisei o texto nem o farei. Escrevi de uma vez super rápido, com o coração. Fico emocionada toda vez que vejo as fotos do Walber e ele me impele  a sentir… Assim nasceu esse texto. 🙂

#keeptrekking

9 thoughts on “Biografia da Mochila Insana – uma história improvável da vida

  1. Ju, vc é dotada de uma resiliência, uma força e energia às adversidades que encanta, e até espanta . Porque você soube lutar muito pela vida , e ainda muito jovem. E soube transformar dificuldades em soluções. Você se tornou forte com tudo isso. E também, o que muito lindo: é um doce de pessoa!

    1. Resiliência é a palavra perfeita mesmo, Ronaldo.
      A vida nos ensina muito isso. Obrigada pelas palavras lindas 🙂

      A parte do doce é controversa, Roberto kkkk Dou umas ratas às vezes. Mas cuido mt bem de quem gosto sim.
      A reciprocidade existe na minha vida de uma forma muito profunda.

  2. Oi Jussiara! Faz muito tempo que não temos contato, são as fases da vida que mudam e eu entendo que isto é super normal, mesmo que tenhamos saudades. Li todo o seu texto e achei fantástico, você é uma pessoa guerreira, agora uma mulher madura e que sabe o que quer. Nas minhas recordações, tenho as nossas boas conversas e andanças despretensiosas na Ceilândia, tempos de conflitos na fé, casos de amor e sonhos juvenis. Doces lembranças. O dia da sua formatura na PM foi muito marcante, pude prestigiar você e outro amigo. Quero dizer com tudo isto que não estou perto fisicamente, mas torço e tenho muito carinho por você, oro pela sua vida , aprecio seus posts e as belas imagens que você compartilha – enfim, desejo caminhos floridos para você. De coração. Beijo

    1. Heloo, que linda! Lembro muito bem das minhas crises de id na adolescência e vc foi sempre marcante! 🙂

      Obrigada por ter feito parte da minha vida. Um dia a gente ainda se esbarra.

      Beijo no seu coração :*

  3. Uau… que relato incrível! Emocionante… me peguei chorando aqui hehe! Parabéns pela sua força, determinação e coragem! Espero que possa viajar muitas e muitas vezes… abraços

    1. Que linda! Obrigada, Manuella.
      Foi escrito com o coração mesmo.

      Continue acompanhando o blog e a página no FB.
      O que não faltarão são histórias.
      Quem sabe vc não cola junto em alguma viagem tb? 🙂

      Um abraço!

  4. Fala Jú,

    Que história sensacional. Posso testemunhar que desde o ensino médio (onde te conheci) você já era nerd e esforçada kkkk
    Fico orgulhoso não só por você ter alcançado seus objetivos mas pela mentalidade que você tem hoje em relação aos bens materiais e a valorização do que realmente importa na vida
    Abs!

    1. Renatinho! Que surpresa! 😀
      Ensino médio foi bem bacana hein rs Varios aprendizados. Tb fico orgulhosa pela pessoa que vc se tornou. Me sinto saudosa.

      Obrigada pelo comentário. ❤️

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